Mitos e histórias sobre apresentações em público

Há algum tempo atrás eu estava escrevendo sobre os mitos, histórias e dicas mais comuns sobre apresentações em público. A idéia era montar um guia sobre o que funcionava bem e o que não apresentava muito resultado. Entretanto, após escrever algumas linhas, acabei chegando à conclusão de que a maior parte do que eu tinha ouvido falar sobre apresentações em público não fazia sentido ou não se aplicava na prática. Veja alguns exemplos interessantes:

1- O que dizem: usar muitos fatos e detalhes para explicar seu tópico é bom.
Boa parte das pessoas acredita que ter muitos detalhes é melhor. Por exemplo, se eu der 10 motivos para você acreditar no que estou falando é melhor do que apenas 2 ou 3 motivos, certo? Porém, quando se trata de apresentações para o público, quanto mais pontos ou motivos abordamos mais confusa a audiência pode ficar. Uma boa prática é usar entre 3 e 5 pontos ou detalhes que expliquem o seu tópico. Caso sua apresentação realmente necessite de mais do que 5 pontos é recomendado que ela seja dividida em no mínimo duas partes.

2- O que dizem: escreva e decore o texto para ganhar confiança.
Talvez essa seja a maneira mais rápida de transformar sua apresentação em algo previsível e tedioso para a audiência, além de aumentar a chance de deixá-lo nervoso. Quando você memoriza sua fala palavra por palavra, qualquer pequena distração pode fazer você perder sua linha de raciocínio e ter um daqueles momentos onde nada vem à nossa cabeça. Como sugestão, ao invés de decorar todo o texto, escreva algumas linhas com os pontos chave de sua apresentação e inclua histórias e exemplos para esses pontos.Assim, se acontecer alguma interferência, a chance de você improvisar dentro do tema se amplia.

3- O que dizem: imagine que as pessoas não estão lá.
Já ouvi diversos palestrantes dizendo que para diminuir o nervosismo o ideal é imaginar que a platéia está vazia e ninguém está olhando para você. Esse talvez seja o ponto mais contraditório de todos, pois o objetivo de fazer uma apresentação é conectar-se com a audiência, sentir que o que você fala provoca uma reação ou um aprendizado nas pessoas, ou seja, você precisa olhar de verdade para as pessoas e sentir a energia e o feedback que visualmente você receberá.

4- O que dizem: parecer nervoso faz de você um orador ruim.
Muitas pessoas acham que  os famosos “ééé” entre as frases, falar rápido ou gesticular são coisas ruins e nunca devem acontecer. Comece a reparar como o uso do “ééé” é algo comum em conversas normais com amigos ou pessoas conhecidas. Quando existe a ausência total dessa expressão o orador pode, às vezes, parecer mudo ou ausente. Além disso, com o tempo, você vai perceber que quanto mais diz à você mesmo para não falar “ééé”, mais vai falar. Sobre falar rápido e gesticular, a maioria das pessoas quando está falando com entusiasmo acelera um pouco as frases e gesticula muito e isso provoca uma reação muito positiva na audiência.

Durante o treinamento “Comunicação com Sucesso” que realizo tenho percebido um padrão muito importante: a maioria das pessoas que tem muito medo de se apresentar no início do curso, quando sobe no palco acaba sendo visto pelos outros treinandos como uma pessoa cheia de energia e entusiasmo, pois o nervosismo e o medo faz com que ela fale de uma maneira diferente que é interpretada pela platéia como entusiasmo.

Talvez você já tenha escutado algumas das histórias que eu citei acima. Portanto, da próxima vez que ouvir algo desse tipo, reflita se realmente isso faz diferença para uma apresentação ou se é apenas um mito.

Lembre-se de que para ser um bom comunicador você deve treinar certo. Simplesmente repetir e treinar da maneira errada ou com a técnica não eficiente pode perpetuar um comportamento não adequado.

Escrito e publicado por Ricardo Pena.

3 comments

  1. Pena,
    Concordo com todos os ítens e adicionaria um que completa todos: O Rapport. Ele é essencial e sem ele você pode atender todos os ítens que você lembrou, mas COM ele, você faz melhor.

    Os fatos parecem ter mais credibilidade, decorar algum texto se torna secundário quando a audiência quer saber o que você tem a dizer. Impossível conectar-se com as pessoas sem o rapport.

    O Rapport atenua a possibilidade de nervosismo do apresentador.

    Abraços!
    Carlos G. Pieruzzi

      1. Os dez anos dentro dos meus vtines foram melhores que os primeiros vtines, mas os dois que estou a viver je1 nos 30 je1 me prometem mais que os trinta que entretanto voaram. Quanto mais velha fico mais me delicio com a vida… just close your eyes and smell the coffee…ritaribeiro

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